A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que examina a possibilidade de abrir uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes repercutiu internacionalmente nesta terça-feira (15). Reuters, Associated Press (AP), Agence France-Presse (AFP), The Guardian e The Economist destacaram o caráter inédito do julgamento, os conflitos entre integrantes da Corte e a proximidade das eleições presidenciais de outubro.
A Reuters descreveu a audiência como "sem precedentes" e afirmou que o tribunal decidiria se investigaria um de seus próprios integrantes em exercício. A agência classificou Moraes como um dos ministros mais poderosos do STF e relacionou o episódio ao agravamento de uma crise institucional em meio a uma disputa eleitoral acirrada.
De acordo com a agência, as suspeitas envolvem alegações de que Moraes teria orientado Daniel Vorcaro durante investigações sobre um suposto esquema de fraude bilionária. O caso, segundo a Reuters, aumentou a tensão política a poucas semanas da eleição presidencial.
Conflito entre ministros
O Guardian chamou de “feroz” o confronto entre ministros e afirmou que a disputa veio à tona na véspera da eleição. O jornal relatou trocas de acusações e discussões durante a sessão transmitida ao vivo e apresentou o embate entre Moraes e André Mendonça como reflexo da disputa eleitoral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.
O jornal também registrou a avaliação de especialistas de que o STF enfrenta sua maior crise desde a redemocratização do país, na década de 1980. A AP, por sua vez, afirmou que uma crise sem precedentes atinge o Supremo brasileiro. A agência mencionou o cancelamento de sessões, a derrubada de decisões entre ministros e suspeitas de corrupção, interferência policial e motivações políticas envolvendo integrantes da Corte.
Para a AP, o conflito teve origem no colapso do Banco Master, liquidado após uma investigação sobre fraude de bilhões de reais. As revelações sobre as relações de Vorcaro com políticos e integrantes do Judiciário teriam intensificado o confronto entre Moraes e Mendonça.
O Economist afirmou que o STF “está em crise” e colocou Moraes sob suspeita e no centro do conflito. O jornal também mencionou mensagens atribuídas a Vorcaro, relacionou o episódio às eleições e citou propostas de mudança no Supremo defendidas por Flávio Bolsonaro. Entre elas está a promessa de perdoar o pai, condenado por tentativa de golpe de Estado, e reformular a Corte caso seja eleito presidente.
Origem das suspeitas
A AFP informou que o Supremo começou a examinar as relações entre Moraes e Vorcaro em meio a uma crise inédita. A agência afirmou que o caso alcançou dimensão suficiente para ofuscar a campanha presidencial brasileira. Financial Times, Le Monde e Al Jazeera também já haviam publicado conteúdos sobre as suspeitas, as disputas internas no STF e os possíveis efeitos políticos do caso Master.
As investigações sobre o Banco Master foram conduzidas após a identificação de suspeitas de fraudes bilionárias. A apuração revelou relações de Vorcaro, ex-dono da instituição, com políticos e integrantes do Judiciário, além de um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório de advocacia da mulher de Moraes.
A crise se ampliou depois que André Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal com mensagens enviadas por Vorcaro a um número atribuído a Moraes. Nos diálogos, o ex-banqueiro teria pedido orientações e ajuda ao ministro sobre as investigações contra o Master. Dois dias antes de ser preso, também teria perguntado se deveria deixar o país.
Moraes nega ter favorecido Vorcaro ou cometido irregularidades. O ministro afirma que as informações foram manipuladas para vinculá-lo a uma investigação de caráter político e eleitoral. Ele também acusa Mendonça, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, de agir ilegalmente e tentar envolvê-lo em uma delação premiada. Mendonça rejeita essa acusação.
O confronto levou o presidente do STF, Edson Fachin, a convocar uma sessão extraordinária. O plenário discute se há elementos para investigar Moraes, além da condução das apurações e da competência de Mendonça para determinar a elaboração do relatório da Polícia Federal.


