O julgamento envolvendo o ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi suspenso por até 90 dias após Flávio Dino pedir vista durante sessão extraordinária realizada na terça-feira (15). A análise estava prevista para continuar na próxima terça (23), com processos relatados por André Mendonça sobre o Banco Master e as fraudes no INSS, questionados por Moraes.
Moraes chegou a mencionar vazamento seletivo e abuso de autoridade ao tratar dos casos. Para o cientista político Francisco Fonseca, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), o episódio ocorre em meio a questionamentos sobre a institucionalidade e a credibilidade do STF.
Composição e relações familiares
Fonseca também criticou a composição da Corte. Ele afirmou que há apenas uma mulher entre os ministros e que nunca houve uma mulher negra no tribunal. Segundo o professor, apenas um ou dois ministros negros passaram pelo Supremo, o que classificou como um problema estrutural de longa data.
Outro ponto levantado envolve situações em que filhos que atuam como advogados de suspeitos de crimes têm seus casos julgados pelos pais. A referência foi a Kevin de Carvalho Marques e Rodrigo Fux, advogados mencionados em conversas do banqueiro Daniel Vorcaro.
O cientista político afirmou ainda que existe conflito de interesses dentro do tribunal. Ele citou relações de Mendonça, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Moraes com o Banco Master, ao mesmo tempo em que o STF analisa causas relacionadas à instituição.
Crítica à atuação de Mendonça
Na avaliação de Fonseca, André Mendonça teria atuado com a intenção de interferir nas eleições e favorecer Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. O professor disse que os acontecimentos buscariam associar Moraes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora, segundo ele, não exista ligação entre os dois.
“Tudo que está acontecendo foi provocado intencionalmente por Mendonça para impactar as eleições”, afirmou Fonseca. Em seguida, classificou o ministro como “golpista”.


