BARRANQUILLA — O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que as eleições na Venezuela devem ocorrer o mais rápido possível, mas condicionou a votação à reconstrução das instituições do país. A declaração foi feita na terça-feira (8), durante uma reunião com o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, em Barranquilla.
Rubio disse que Washington participa de negociações com setores do chavismo e da oposição. O processo envolve a Assembleia Nacional venezuelana eleita em 2015, cujo mandato expirou, e as autoridades interinas do país, lideradas pela presidenta encarregada Delcy Rodríguez.
Para o secretário, a realização de eleições exige a existência de uma Suprema Corte, de um Conselho Eleitoral Nacional, de infraestrutura de votação, de partidos políticos e de uma imprensa livre e aberta. Ele afirmou que essas condições são necessárias para que os candidatos possam disputar cargos e se manifestar.
“Isso precisa acontecer o mais rápido possível, na minha perspectiva, mas deve ser feito de maneira adequada”, declarou Rubio. Segundo ele, caso o processo não seja conduzido dessa forma, haverá mais caos.
Relação entre Colômbia e Venezuela
A reunião tratou do fortalecimento da cooperação bilateral e militar na região. Espriella afirmou que a Colômbia trabalhará com o governo dos Estados Unidos para garantir a estabilidade regional e aprofundar a cooperação nas áreas fronteiriça, migratória e de segurança.
O presidente colombiano destacou que os dois países compartilham mais de 2 mil quilômetros de fronteira ativa. De acordo com ele, os acontecimentos na Venezuela têm efeitos diretos sobre a Colômbia em segurança, migração, tráfico de drogas, contrabando, organizações armadas e energia.
Rubio afirmou que o Exército de Libertação Nacional e dissidentes das FARC operam a partir do território venezuelano e representam uma ameaça à Colômbia. Ele disse ter tratado do tema com autoridades interinas venezuelanas, incluindo Delcy Rodríguez, e defendeu que a questão seja resolvida para melhorar a relação entre os dois países. O secretário não apresentou evidências para sustentar a afirmação.
Rubio também informou que pretende visitar a Venezuela. Ele explicou que a viagem não ocorreu nesta semana porque sua agenda incluía outros países, o Dia do Trabalho e a marcação do 25º aniversário do 11 de setembro.
Acordos e cooperação militar
Durante a visita, Colômbia e Estados Unidos assinaram memorandos de entendimento sobre o fornecimento de minerais críticos e terras raras e sobre energia nuclear civil. Os governos também anunciaram participação conjunta no Escudo das Américas, iniciativa militar e de segurança que reúne 19 governos e terá sede em Medellín.
As autoridades confirmaram ainda o retorno de ações de pulverização de glifosato contra cultivos de drogas. O governo colombiano pediu apoio dos Estados Unidos para obter financiamento em órgãos multilaterais e solicitou a abertura de um consulado em Barranquilla.
A Colômbia foi a primeira parada da viagem de Rubio, que também inclui Equador e Peru. Durante a passagem pelo país, o secretário elogiou a mudança de governo e criticou a administração anterior, liderada pelo ex-presidente Gustavo Petro. Rubio afirmou que os últimos quatro anos prejudicaram a relação entre os Estados Unidos e a Colômbia e disse que essa situação está mudando.



