PORTO ALEGRE — O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), líder do Governo Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara e candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, defendeu que as suspeitas envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sejam investigadas sem privilégios. Para ele, nenhuma autoridade pode estar acima da lei, independentemente do cargo que ocupa.
A declaração ocorreu durante um jantar da Frente Ampla da Saúde com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no CTG 35, em Porto Alegre. Pimenta afirmou que as suspeitas relacionadas aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça precisam ser analisadas com independência e transparência.
O deputado também pediu que o presidente do STF, Edson Fachin, assuma a condução das apurações. “Nós não podemos permitir que nenhum ministro do Supremo Tribunal Federal esteja acima da lei”, afirmou. Na avaliação de Pimenta, a investigação deve alcançar tanto Moraes quanto Mendonça, sem distinções.
Polícia Federal e eleições
Ao tratar da crise, Pimenta alertou para possíveis interferências institucionais com impacto no processo eleitoral. Ele mencionou a Operação Lava Jato, conduzida pelo então juiz Sergio Moro, e seu efeito sobre o cenário político e eleitoral de 2018.
Luiz Inácio Lula da Silva foi impedido de disputar aquela eleição após uma condenação posteriormente anulada pelo STF. No ano seguinte, Moro deixou a magistratura e assumiu o Ministério da Justiça do governo Jair Bolsonaro, vencedor daquele pleito.
Para Pimenta, esse episódio exige atenção diante de qualquer tentativa de usar investigações ou interferir no funcionamento da Polícia Federal com objetivos políticos ou eleitorais. O deputado disse que não é aceitável que uma decisão de ministro do STF provoque a troca do comando da corporação para impedir ou limitar apurações.
Pimenta afirmou ainda que ninguém deve escolher quais investigações a Polícia Federal pode realizar. Também defendeu que as suspeitas sejam examinadas sem proteção ou seletividade, inclusive quando envolverem integrantes do próprio Supremo. Ao final, disse que é necessário defender Lula, a democracia e a soberania.


