O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo da taxa básica de juros da economia brasileira, em um cenário de desaceleração da inflação e de moderação gradual da atividade econômica.
O comunicado do Banco Central afirma que os indicadores mais recentes apontam perda de ritmo da economia, principalmente nos setores mais cíclicos, embora a atividade ainda esteja em patamar resiliente. O mercado de trabalho, segundo a instituição, continua aquecido. A inflação cheia e a média das medidas subjacentes também desaceleraram nas divulgações mais recentes.
Em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou variação negativa de 0,32%, o menor nível em quatro anos. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses caiu de 4,44%, em julho, para 4,22%. Os alimentos estiveram entre os itens que mais contribuíram para o resultado, com recuo de 0,34% no mês.
A Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026. O ciclo de redução começou em abril deste ano. No Brasil, a taxa é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.
Cenário externo e metas
Apesar da melhora no ambiente doméstico, o Copom manteve a avaliação de que o cenário internacional exige cautela. O Banco Central citou a indefinição sobre os conflitos armados no Oriente Médio e as incertezas relacionadas à política monetária de algumas economias avançadas, em um contexto de maior volatilidade nos preços de ativos e commodities.
Desde janeiro de 2025, vigora o sistema de meta contínua de inflação. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. A inflação é apurada mensalmente, considerando os 12 meses anteriores.
O Banco Central havia elevado de 3,9% para 5,2% a previsão de inflação para 2026 em seu Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de junho. A estimativa deverá ser revista diante dos dados de julho e agosto. A instituição também elevou para 2% a previsão de crescimento da economia em 2026.



