O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (16) a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. O corte foi de 0,25 ponto percentual e confirmou a expectativa predominante do mercado financeiro.
A decisão representa a quinta redução consecutiva desde março, quando começou o ciclo de flexibilização monetária, após a manutenção da taxa em 15% ao ano por nove meses. Com o novo ajuste, a Selic acumula queda de 1,25 ponto percentual no período.
A desaceleração da atividade e sinais mais favoráveis da inflação abriram espaço para a redução, mas as expectativas de preços acima da meta, as incertezas fiscais e os riscos externos seguem exigindo cautela. Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, a perda de força da economia permite discutir novos cortes, mas não garante a continuidade do movimento.
“a evolução da inflação e das expectativas continuará sendo determinante”, afirmou Yihao Lin.
Atividade econômica perde ritmo
No mesmo dia, o Banco Central informou que o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), usado como prévia do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 0,2% em julho ante junho. Foi a segunda queda mensal seguida.
A agropecuária teve retração de 1,2%, enquanto a indústria caiu 0,4%. Os serviços ficaram praticamente estáveis. O indicador que exclui a agropecuária diminuiu 0,1%, indicando que a perda de ritmo alcançou também os demais setores.
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,32% em agosto. O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (14) reduziu de 5% para 4,9% a projeção de inflação para 2026. Ainda assim, a estimativa permanece acima do limite superior de 4,5% da meta, cujo centro é de 3%.
Pressão externa e próximos passos
No mesmo dia, o Federal Reserve elevou os juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Foi a primeira alta desde julho de 2023. A inflação americana continua acima da meta de 2%, e as projeções dos dirigentes indicam possibilidade de novos aumentos ainda neste ano.
A diferença menor entre as taxas brasileiras e americanas pode tornar os investimentos nos Estados Unidos relativamente mais atraentes e pressionar o câmbio brasileiro, com possíveis efeitos sobre os preços de produtos importados. Também permanecem no radar a alta do petróleo e as incertezas ligadas ao conflito no Oriente Médio.
Para novembro, a Oby Capital projetava outro corte de 0,25 ponto percentual. Santander e Genial Investimentos consideravam possível manter a Selic em 13,75% até o fim do ano. A XP Investimentos via espaço para novas reduções e projetava a taxa em 13,25% em dezembro, condicionando a continuidade do ciclo aos riscos externos e à política fiscal.
As próximas reuniões do Copom estão previstas para 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro.


